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FICHAMENTOS PARA O PROJETO DE PESQUISA

Fichamento Acadêmico: “Educação em saúde a partir de círculos de cultura” aplicado ao Silêncio como Linguagem

Por: Marcio Firmino Disciplina: Temáticas de Pesquisa em Psicologia (7º Semestre) Projeto de TCC: O Silêncio como Linguagem: Desafios do Manejo do Profissional no Atendimento à Violência Sexual Infantil.

INTRODUÇÃO

Seja bem-vindo a este espaço dedicado ao compartilhamento das minhas produções acadêmicas na graduação em Psicologia. Este fichamento foi desenvolvido como parte das atividades da disciplina de Temáticas de Pesquisa. O objetivo desta análise foi estudar metodologias de acolhimento e escuta que possam fundamentar o meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), cujo tema central investiga o silêncio como forma de linguagem no atendimento a crianças vítimas de violência sexual.

Abaixo, compartilho a síntese do artigo estudado, as principais citações e a minha análise crítica sobre a obra.

DADOS DA OBRA FICHIADA

  • Referência: MONTEIRO, E. M. L. M.; VIEIRA, N. F. C. Educação em saúde a partir de círculos de cultura. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 63, n. 3, p. 397-403, 2010.

1ª PARTE – SÍNTESE DO ARTIGO

O estudo objetiva compreender a percepção dos profissionais de saúde sobre o processo de educação contínua no atendimento às famílias em situação de violência, identificando os limites e as possibilidades dessa prática em um distrito sanitário de Recife. A pesquisa, de abordagem qualitativa, fundamentou-se na vertente crítico-reflexiva de Paulo Freire, utilizando os “Círculos de Cultura” como principal recurso metodológico para a coleta de dados e análise temática. Os resultados apontam que as ações educativas ainda ocorrem de forma pontual e fragmentada, evidenciando a necessidade de fortalecer a articulação da rede de atenção e criar espaços permanentes de escuta e diálogo para os profissionais. O artigo conclui que o Círculo de Cultura se mostra uma potente ferramenta metodológica capaz de promover a reflexão crítica e a transformação das práticas de saúde no manejo da violência intrafamiliar.

2ª PARTE- APRESENTAÇÃO OBJETIVA DAS IDÉIAS DO(s)  AUTOR(es)

Acredito que a ideia central deste artigo é a possibilidade de construir uma ação coletiva de estratégias práticas para que os profissionais de saúde saibam como agir diante do abuso sexual infantil, utilizando-se do diálogo como principal ferramenta de transformação.
Já Como ideia secundária, vejo que os autores detalham a importância da metodologia de Paulo Freire para quebrar o silêncio dos profissionais, assim como a necessidade de identificar quais são os sinais de violência além do físico e a urgência de uma rede de apoio que funcione de fato.

Quanto as ideias principais, em minhas palavras, vejo que o texto defende que o combate ao abuso não depende só de leis, mas de preparar quem está na linha de frente do atendimento. Vejo que os autores mostram que quando o profissional tem um espaço para falar sobre seus medos e dúvidas, ele deixa de ser apenas um espectador passivo e passa a criar soluções reais, como podemos ver nos fluxogramas de atendimento. Posso entender que na realidade, o trabalho nos mostra que a saúde não busca cuidar apenas do corpo, mas tende a ser um escudo de proteção social para a criança. E que pode transformar a insegurança em uma atitude ética e corajosa de cuidado.

Citações dos autores enfocados no texto de diferentes tipos:

TIPOS DE CITAÇÃO:

1. Citação literal, com até 3 linhas (No corpo do texto, entre aspas)

Segundo os autores, “o abuso sexual contra crianças é um fenômeno complexo e de difícil manejo pelos profissionais que atuam na Atenção Primária à Saúde” (BATISTA; GOMES; VILLACORTA, 2022, p. 209).

2. Citação literal com recuo (Mais de 3 linhas e fonte menor)

A análise de conteúdo desenvolvida com base em Bardin foi organizada em três etapas fundamentais:

A pré-análise é uma fase que tem por objetivo organizar o material que será trabalhado, operacionalizar e sistematizar as ideias iniciais. Trata-se da organização propriamente dita, desenvolvida com base em cinco etapas:
a) leitura flutuante; b) escolha dos documentos; c) formulação das hipóteses e dos objetivos; d) referenciação dos índices e elaboração de indicadores;
e) preparação do material (BATISTA; GOMES; VILLACORTA, 2022, p. 211).

3. Citação – Paráfrase (Você explica a ideia do autor com suas palavras, sem aspas)

De acordo com Batista, Gomes e Villacorta (2022), a utilização dos Círculos de Cultura permitiu que os profissionais de saúde do Recife pudessem refletir criticamente sobre suas práticas, transformando o medo em ações concretas de proteção à criança.

4. Citação de citação (Um autor cita outro – usar o apud)

“O Círculo de Cultura é o lugar onde se ensina e se aprende, onde não há professor, mas um animador de debates que coordena as atividades” (FREIRE, 1987 apud BATISTA; GOMES; VILLACORTA, 2022, p. 210).

CitaçãoPáginaComentários (caso o grupo considere necessário)
Os Círculos de Cultura permitiram que os profissionais refletissem sobre suas práticas, revelando que o enfrentamento ao abuso exige estratégias que vão além dos manuais, focando no vínculo e na construção de fluxos que garantam a proteção integral sem a revitimização.210O manejo clínico se constrói na prática coletiva e no fortalecimento dos vínculos entre a rede e a comunidade.  
O profissional sente-se impotente e desamparado diante da complexidade do fenômeno e da ausência de fluxos institucionais definidos.212Esta citação detalha o “Desafio do Manejo” citado no nosso tema. A angústia do profissional é um fator que interfere na escuta clínica; se o psicólogo não se sente seguro, ele pode acabar reforçando o silenciamento da situação por medo ou despreparo.
Sinaliza-se a importância de compreender que a identificação do abuso sexual contra crianças exige sensibilidade para perceber o que não é dito através das palavras, mas expresso no comportamento, no corpo, no desenho e no brincar, uma vez que a criança poderá não conseguir verbalizar o ocorrido.213Esta citação é a base do nosso tema, pois valida que o silêncio e o comportamento lúdico são formas de linguagem que o profissional precisa saber ler.
A escuta qualificada deve ser compreendida como um dispositivo de cuidado e não apenas de coleta de informações para o sistema judiciário. O profissional deve ter sensibilidade para perceber o que não é dito através das palavras, mas expresso no comportamento, no desenho e no brincar, respeitando o tempo da criança.215Esta passagem é crucial para o nosso tema, pois desloca o papel do psicólogo de um “investigador” para um “acolhedor”. No manejo do silêncio, o profissional deve priorizar o tempo da criança, entendendo que a pressa por informações pode silenciar o trauma ainda mais.
O silenciamento das vítimas é muitas vezes reforçado pela própria desarticulação dos serviços de saúde e proteção. Quando a rede não dialoga, o profissional sente-se impotente e desamparado diante da complexidade do fenômeno, o que gera invisibilidade e a manutenção do ciclo de violência institucional.”217Aqui identificamos o desafio do manejo: a fragilidade da rede de apoio pode acabar silenciando a situação em vez de protegê-la.

3 ª PARTE – ELABORAÇÃO FINAL SOBRE A LEITURA

Este artigo na minha opinião tem grande relação na construção do nosso TCC, “O Silêncio como Linguagem: Desafios do Manejo do Profissional no Atendimento à Violência Sexual Infantil.”, pois ele humaniza o debate ao demonstrar que o manejo profissional diante do abuso não deve ser um processo mecânico ou meramente burocrático. Ao mergulhar na realidade delicada dos profissionais de saúde, o estudo revela que o enfrentamento à violência exige um ato de entrega e coragem. O texto é fundamental pois evidencia que a falta de uma rede que se comunique de verdade acaba por silenciar a criança ainda mais. Ele nos leva a olhar para o atendimento como um lugar de acolhimento onde a escuta sensível busca dar voz ao que a dor ainda não permite verbalizar. Para ouvir o que a criança não consegue dizer, o profissional precisa estar cercado e ter o suporte de fluxos que funcionem como um abraço na causa. Esta leitura para mim justifica a importância de uma psicologia que saiba estar junto com outro, pode transformar o silêncio em proteção e cuidado com muita ética profissional.

REFERÊNCIAS PARA FUTURAS PESQUISAS

  1. MONTEIRO, E. M. L. M.; VIEIRA, N. F. C. Educação em saúde a partir de círculos de cultura. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 63, n. 3, p. 397-403, 2010.
  • HOHENDORFF, J. V.; PATIAS, N. D. Violência sexual contra crianças e adolescentes: identificação, consequências e indicações de manejo. Barbarói, v. 49, n. 1, 2017.
  • WINNICOTT, D. W. Da pediatria à psicanálise: textos selecionados. 2. ed. Rio de Janeiro: Imago, 2000.
  • WINNICOTT, D. W. O ambiente e os processos de maturação: estudos sobre a teoria do desenvolvimento emocional. Porto Alegre: Artmed, 1983.
  • GROSSKURTH, P. O mundo e a obra de Melanie Klein. Rio de Janeiro: Imago, 1992.

KLEIN, M. Psicanálise da criança. Rio de Janeiro: Imago, 1997. (Sugestão extra: Obra clássica que explica como observar a angústia da criança através das ações, mesmo no silêncio).

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