Muitas pessoas associam a esquizofrenia apenas a comportamentos agressivos ou bizarros, fruto do preconceito e do desconhecimento. No entanto, na psicopatologia clássica e em manuais fundamentais como o DSM-5-TR, compreendemos esse quadro clínico dividindo suas manifestações em dois grandes grupos: os sintomas positivos e os sintomas negativos.
Mas o que esses termos realmente significam?
1. Sintomas Positivos (O que se “acrescenta” à mente)
Não usamos a palavra “positivo” no sentido de algo bom, mas sim para indicar funções que aparecem em excesso ou de forma distorcida na pessoa em sofrimento, e que não costumam estar presentes em indivíduos saudáveis. Os principais sintomas desse grupo são:
- Delírios: São crenças fixas, falsas e irredutíveis. O sujeito acredita piamente nelas, mesmo quando a lógica ou a realidade física provam o contrário (como a certeza de estar sendo perseguido pelo governo ou de possuir superpoderes).
- Alucinações: São percepções claras e reais de um estímulo que não existe no mundo físico. Na esquizofrenia, as mais comuns são as auditivas (como ouvir vozes que fazem comentários, xingam ou dão ordens).
- Desorganização do Pensamento e da Fala: O curso do pensamento perde o nexo lógico. A pessoa pode mudar de assunto sem nenhuma conexão ou até inventar palavras novas que só fazem sentido para ela.
2. Sintomas Negativos (O que se “perde” no comportamento)
Os sintomas negativos representam um empobrecimento ou a perda de funções psíquicas e comportamentais que a pessoa costumava exercer normalmente. Costumam ser os sintomas mais difíceis de tratar e que causam maior impacto social. São eles:
- Embotamento Afetivo: Uma redução drástica na capacidade de expressar emoções. O rosto tende a ficar inexpressivo, o tom de voz monótono e o contato visual diminuído.
- Avolição: Falta de motivação, energia ou vontade para iniciar e persistir em atividades que possuem um objetivo (como realizar a higiene pessoal, trabalhar ou simplesmente levantar da cama).
- Alogia: Empobrecimento do pensamento que se reflete em uma fala muito reduzida ou monossilábica.
- Retraimento Social: A pessoa perde o interesse pela convivência e se isola do contato com amigos e familiares.
Curiosidade Clínica: Nem todo surto é Esquizofrenia
Um ponto fundamental para estudantes de psicologia e profissionais da saúde é saber diferenciar a esquizofrenia de outros quadros clínicos.
- Nos chamados Quadros Psicóticos Agudos, os sintomas (como delírios e alucinações) duram pouco tempo — de um dia a no máximo um mês — e o indivíduo retorna completamente ao seu funcionamento normal de antes. Geralmente ocorrem após um grande estresse ou trauma.
- Já na Esquizofrenia, o quadro é persistente e crônico. Segundo os critérios diagnósticos atuais, os sinais contínuos do distúrbio precisam durar pelo menos 6 meses e provocam um prejuízo significativo na vida social, acadêmica ou profissional.